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| Diretrizes |
DIRETRIZES GERAIS
DA ANEB PARA A EDUCAÇÃO SECULAR BATISTA
MISSÃO: Congregar,
apoiar, incentivar, dar suporte, orientar, oferecer consultoria
à instituições de educação
secular batista a ela filiadas.1
VISÃO: Ser uma
associação reconhecida pela sociedade como representante
e promotora do desenvolvimento das instituições
educacionais batistas a ela filiadas.
HISTÓRICO:
Manifestação Expressa
— As primeiras manifestações de interesse
em criar uma entidade que congregasse as escolas batistas de ensino
secular no Brasil originou-se entre diretores e educadores, na
década de 50.
O Embrião
— Consta, nos primeiros exemplares do BOLETIM DA ANEB, a
menção de (Em seu boletim a ANEB menciona) que "há
anos a CBB vem se preocupando com o setor educacional, tentando
fórmulas e criando organismos capazes de proporcionar uma
orientação geral, planejando e executando, dentro
de uma filosofia cristã e batista particularmente, um programa
educativo que, de fato, represente a potencialidade denominacional.
Assim, no passado houve a Junta de Educação da CBB,
que por falta de condições, entretanto, foi extinta.
Atualmente, a Convenção (CBB) mantém o Conselho
de Educação, órgão que também
não tem podido realizar suas atribuições".1
— Há, contudo um equívoco no registro citado
acima. (É preciso, contudo, desfazer-se o equívoco
citado acima, contido no boletim da ANEB). Ou seja, a Junta de
Educação da CBB funcionou nas primeiras décadas
do século XX, nos moldes que conhecemos hoje, com as juntas
de educação nos diferentes estados brasileiros,
como mantenedoras dos Colégios Batistas. Como nos casos
atuais, a Junta da CBB, no passado, não tinha características
nem compromisso de uma associação. A extinção
da Junta de Educação da CBB, no final da década
de 30, em plena ditadura Vargas, ocorreu após uma longa
crise entre os batistas brasileiros, de nítida postura
nacionalista, e foi denominada de Questão Radical. Essa
crise teve início a partir de um grupo de pastores e educadores
que exigiram, dentre outras coisas, que os diretores de colégios
batistas deixassem de ser americanos. Um conflito que se iniciou
em 1921, causando uma divisão da Convenção
Batista Brasileira. Essa divisão resultou na criação
da Associação Batista Brasileira, composta de 55
igrejas batistas2.
— Na década de 50 pois, surge no Rio de Janeiro,
por decisão da CBB, o Conselho de Educação,
dentro da estrutura da Convenção Batista Brasileira
e por ela sustentado e que, por razões ainda não
esclarecidas totalmente, teve vida curta. Seus membros eram educadores
e fizeram os esforços possíveis, mas sem resultados
duradouros.
Neste sentido, fica claro o entendimento entre educadores, pastores,
líderes e diretores dos Colégios Batistas que o
Conselho de Educação da CBB representou o embrião,
a partir do qual surgiram a organização, constituição
e lançamento da ANEB, em 1963.
A ANEB É CRIADA
— Assim é que, nesse ano, "os diretores de estabelecimento
de Ensino Médio, se reuniram em Vitória/ES, por
ocasião da Convenção e criaram a Associação
Nacional de Educandários Batista, inspirados num parecer
sobre o Conselho de Educação, aprovado na Convenção
realizada em Curitiba / PR, que se referia a uma associação
do tipo". "Criada a Associação, sua existência
se fez logo notar, em virtude da integração de seus
objetivos, com o interesse das instituições, tornando-se
desse modo, o organismo autêntico que pode, realmente, formar
o pensamento batista da Educação, aproximando os
Estabelecimentos e seus diretores".3
A Convenção Batista Brasileira recebe a
ANEB como órgão auxiliar
— A CBB reconheceu a ANEB como órgão representativo
auxiliar, na área de educação não
tecnológica; para isso, exigiu-se a adequação4
dos seus estatutos.
1ª Diretoria da ANEB e seus organizadores
— Em julho de 1964 a ANEB, em seu boletim, menciona a sua
diretoria, constituída do Presidente Nacional, Pr. Dr.
Werner Kaschel, diretor do CBB - SP e Presidente da Secção
Sul-Centro; Secretário-Geral e Tesoureiro, Pr. Samuel de
Souza, diretor do Colégio Batista de Niterói/RJ;
Presidente da Secção Norte-Nordeste, Prof. Samuel
Munguba, diretor do Colégio Batista Santos Dumont, Fortaleza
/CE; Secretário Arquivista da Secção Centro-Sul,
Prof. Onésimo Mendes Coelho, Secretário do Colégio
Batista Shepard - Guanabara; Secretário Arquivista da Secção
Norte-Nordeste, Prof. Getro Ferreira, diretor do Colégio
Batista Alagoano/AL. A sede da ANEB funcionou, nos primeiros 15
anos, à Rua Visconde de Morais, 231, Niterói/RJ,
cidade de residência do Secretário Geral, Pr. Samuel
de Souza.5
— Entre os seus organizadores e com toda a diretoria mencionada
aparece, com papel destacado, o Pr. Dr. Werner Kaschel, como membro
que foi da Comissão Especial da Junta Executiva da Convenção
Batista Brasileira, quando da preparação dos estatutos
que tornou a ANEB órgão auxiliar da CBB, em sua
assembléia realizada em 1967, em Belo Horizonte.6
Os Secretários da ANEB
— Ao longo de sua existência a ANEB teve três
secretários executivos: Pr. Samuel de Souza até
1978, que foi também seu fundador; Prof. José Milton
Cerqueira, em cujo exercício do mandato de 10 anos acumulou
a Direção do Colégio Batista Santos Dumont;
e a atual secretária, Profª. Klaudy Garros, a partir
de 1989. A Profª. Klaudy Garros foi diretora geral do Colégio
Batista de Porto Alegre / RS, no período de 1974 a 1993,
aproximadamente 20 anos, tendo acumulado nos últimos anos
a direção pedagógica do Colégio Batista
Alagoano e a Secretaria Geral da ANEB a partir da transferência
da sede para Brasilia .
Ex-Presidentes da ANEB
— Além do fundador aqui mencionado, Pr. Werner Kaschel,
merecem destaque os ex-presidentes da ANEB e diretores dos Colégios
Batistas: Florêncio Rodrigues do Americano Batista de Recife;
Wangles Breternitz, do Batista Brasileiro de São Paulo;
Ebenezer Soares Ferreira, do Fluminense, em Campos - RJ; Armindo
de Oliveira Silva, do Batista Mineiro; Ader Alves de Assis do
Colégio Batista Mineiro; Klaudy Garros, do Colégio
Batista de Porto Alegre/RS; Éber Mancen Guedes, do Shepard,
no Rio de Janeiro; Edvar Gimenes de Oliveira , do Americano Batista
de Recife; Jovelina Maria dos Reis, do Daniel de La Touche, São
Luís - MA; Isac Coelho da Silva, do Colégio Batista
Santos Dumont, Fortaleza - CE e o atual Presidente José
Nemésio Machado, diretor do Colégio Batista Brasileiro
- SP.
Dois períodos distintos na trajetória da
ANEB
— A ANEB, em sua trajetória, pode ser vista através
de duas etapas distintas. A primeira se inicia com a sua fundação
em 1963, indo até 1990; a segunda compreende o espaço
de tempo entre 1990 e os dias atuais.
Em sua primeira fase, a ANEB cooperou e participou da diretoria
da extinta "Federação das Escolas Evangélicas
do Brasil", tendo sido seu presidente para o biênio
1967-1968 e de 1968 a 1970 o Pr. Samuel de Souza, Secretário
Geral e Tesoureiro da ANEB.7
— A ANEB realizou de 21 a 23 de maio de 1970, nas dependências
do IBER / RJ, a memorável 1ª Conferencia Nacional
Batista de Educação, em cujo temário constaram
relevantes assuntos, tais como: "O que a Denominação
espera dos seus Colégios", conferência proferida
por José dos Reis Pereira; "Literatura Didática"
abordado por João Soren; "Universidade Batista"
- Seminário de Estudo coordenado por Beny Pitrowsky; e
outros.8
— Nos encontros regionais e nacionais da ANEB, tratava-se
de assuntos de interesse das instituições e de seus
diretores, como aparece em seu boletim nº 7, de 1966, página
9. Isto é, os professores não eram alcançados
e até eram discriminados por parte da maioria dos diretores
da época. Esses diretores, contrários à presença
dos professores na ANEB, entendiam que, se os professores desejassem,
criassem a sua entidade de classe.
— Na segunda fase da ANEB, a partir de 1990, com a eleição
do Prof. José Nemésio Machado, para sua presidência,
a ANEB se reestruturou, passou a trabalhar a inserção
dos professores em seus congressos, destinados a questões
de interesse pedagógico, bem como de interesse organizacional
e administrativo dos Colégios afiliados, com a necessidade
de se pensar e debater a formação continuada dos
professores.
— Ao longo da década de 90 e início do novo
século, a ANEB realizou 10 congressos nacionais e 02 regionais.
Esses eventos têm se constituído em momentos ricos
e abençoadores para nossas instituições e
suas comunidades.
OBJETIVOS
- Promover a defesa dos princípios evangélicos confessionais
batistas, estimulando o exercício pleno da cidadania.
- Criar serviço de assessoria político-pedagógica,
jurídica e administrativa sob forma de consultoria.
- Favorecer a elaboração de material didático
unificado.
- Promover campanhas publicitárias institucionais.
- Oferecer momentos de estudo e pesquisa, bem como a socialização
entre os associados.
- Fazer representar-se junto aos poderes públicos constituídos
em defesa de uma política educacional que valorize a cidadania.
- Promover congressos, seminários, encontros, palestras
e outros eventos com vistas ao desenvolvimento e aperfeiçoamento
dos administradores, educadores cristãos.
- Estimular a promoção de intercâmbios entre
si nas áreas do esporte, cultura e educação.
- Criar veículo de comunicação entre as
afiliadas, abrangendo a situação atual do ensino
brasileiro, divulgação de projetos e pesquisas,
etc.
- Estimular a criação de outras instituições
educacionais em diferentes níveis.
— A ANEB, como associação responsável
por congregar os Colégio Batistas do Brasil, sugere que
esses tenham como fundamentos norteadores para sua ação,
os relacionados abaixo:
FUNDAMENTOS ÉTICO-POLÍTICOS
-
Através dos princípios cristãos, é
responsabilidade da Instituição de Ensino possibilitar
a criação da consciência ética, capacitando
o ser a experienciar valores e usá-los na consciência
com seus semelhantes e a natureza: autonomia, domínio,
respeito, desenvolvimento de habilidades e competências,
cooperação.
-
Assumir o compromisso de ser um espaço facilitador
à autoconstrução do ser, com propósito
e significado onde o eixo central é Deus.
-
Favorecer um ambiente onde o ser humano possa organizar,
dominar e aplicar os conhecimentos adquiridos através
da informação, transformando-se e sendo agente
transformador através da interação.
FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS
— O conhecimento é construído no contexto
social com a parceria de múltiplos mediadores. E o sujeito
desse conhecimento dever ser essencialmente ativo no processo
ensino-aprendizagem. Um sujeito que elabora suas conquistas, interage
no meio físico, social e cultural que, mutável,
oferece oportunidades para reelaborações constantes
do conhecimento adquirido.
— Com a mediação da Instituição
Escolar, segundo Vygotsky, os conceitos espontâneos, construídos
com as variadas e livres experiências da criança,
são transformados em conceitos científicos.
— Essa construção ativa do conhecimento é
favorecida em ambientes ricos em estímulos culturais e
vivências solidárias, onde coexistam, também,
a sensibilidade e a afetividade, necessárias ao saudável
desenvolvimento do educando.
FUNDAMENTOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS
— Numa instituição de ensino entendemos que
a relação professor-aluno-conhecimento deve proporcionar
a apropriação e construção do conhecimento,
a organização coletiva do trabalho de sala e o bom
relacionamento interpessoal.
— As relações que se estabelecem no espaço
pedagógico devem refletir os fundamentos epistemológicos
que são baseados na teoria da construção
sócio-interacionista do conhecimento.
— Nesta relação didático-pedagógica
o professor deve exercer o papel de mediador do processo de interação
que ocorre entre o sujeito da aprendizagem e o objeto do conhecimento.
— Portanto, aprender é construir significados, e
ensinar é oportunizar esta construção de
forma dialógica, a partir das concepções
prévias dos alunos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DELORS, Jacques. Educação, um tesouro a descobrir.
2ed. São Paulo: Cortez, 1999
DELVAL, Juan. Aprender a aprender. 2ed. Campinas: Papirus, 1997
FONSECA, Vitor da. Aprender a aprender. Porto Alegre: Artmed,
2000
FREIRE, Paulo. Educação e atualidade brasileira.
São Paulo: Cortez, 2001
____________ Educação e mudança. 5ed. Rio
de Janeiro: Paz e Terra, 1977
GALVÃO, Izabel (org.). Henri Wallon: Uma concepção
dialética do desenvolvimento infantil. 11ed. Petrópolis:
Vozes, 2002
LA TAILLE, Yves de. Piaget, Vigotsky, Wallon: Teorias psicogenéticas
em discussão. São Paulo: Sumus, 1992
MAHONEY, Abigail A.; ALMEIDA, Laurinda R. de (Ogs). Henri Wallon:
Psicologia e Educação. 2 ed. São Paulo: Loyola,
2000
MANSINI, Elcie F. Salzano; MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem
significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes,
1982
MORIN, Edgar. A construção do real na criança.
Rio de Janeiro: Zahar/Mec, 1975
____________ Os sete saberes necessários à educação
do futuro. São Paulo: Cortez, 2000
PARÂMETROS Curriculares Nacionais. Brasília: Ministério
da Educação e de Desporto / Secretaria do Ensino
Fundamental - SEF, 1996
PERRENOUD, Philippe. Construir as competências desde a escola.
Porto Alegre: Artmed, 1999
_____________ Dez novas competências para ensinar. Porto
Alegre: Artmed, 2000
PIAGET, Jean. Epistemologia genética. Petrópolis:
Vozes, 1971
SEBER, Maria da Glória. Construção da inteligência
pela criança. 4ed. São Paulo: Scipione, 1995. (Fundamentos
para o Magistério)
_____________ Piaget: O diálogo com a criança e
o desenvolvimento. São Paulo: Scipione, 1997. (Pensamento
e Ação no Magistério)
VASCONCELLOS, Celso. Avaliação: concepção
dialética-libertadora do processo de avaliação
escolar. São Paulo: Libertad, 1995
VIGOTSKY, L. S. A. Formação social da mente. São
Paulo: Martins Fontes, 1984
ZABALLA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto
Alegre: Artmed, 1998
1 Boletim da ANEB nº 7, de dez/66,
pág. 10
2 A Contribuição Batista para a
Educação Brasileira, José Nemésio
Machado, JUERP/1994, pág. 64
3 Boletim da ANEb, nº 7, de dez/66, pág.
10
4 Recomendação 14, da 49ª Assembléia
da CBB, realizada em Belo Horizonte, em 1967
5 Boletim da ANEB nº 4, de julho/64, pág.
4
6 Boletim da ANEB nº 7, de 7/6/66, pág.
9 e Recomendação 14, da 49ª Assembléia
da CBB, realizada em Belo Horizonte, em 1967
7 Boletim da ANEB nº 8, ano 1967, pág.
4 e Boletim da ANEB, nº 10 , ano 1970 p
8 Boletim da ANEB nº 10, ano 1970, pág.
10
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