| As necessidades
dos Professores das Instituições Educacionais Batistas.
Incluindo os Professores de Educação Cristã
e Equipe de Capelania
Neste texto, desejo ressaltar as NECESSIDADES que os professores
têm no exercício de seu magistério, para que
possamos estar atentos e buscar, na medida do possível, atendê-las.
Os professores precisam e merecem ter suas necessidades supridas
para que tenhamos condições de cobrar bom desempenho
e para que possam ser bem sucedidos em sala de aula. A satisfação
dos estudantes, e a sua conseqüente permanência como
alunos em nossas instituições educacionais bem como
a indicação para seus amigos, depende muito mais da
qualidade e da atuação dos professores do que de qualquer
outro fator ou área da escola. Podemos ter salas didática
e pedagogicamente bem equipadas, instalações adequadas
e campus educacional completo, mas se o nosso Corpo Docente não
estiver bem preparado, não for capaz de ensinar com eficiência,
não estiver motivado, de nada adiantará o investimento
em estrutura. Mestres preparados, criativos, entusiasmados e dedicados
ajudam a superar as eventuais deficiências de instalações
e estrutura de nossas escolas.
Não basta, entretanto, exigir ou esperar que os professores
ensinem bem, façam milagres, se não lhes forem dadas
as condições mínimas. Poderão fazê-lo
por um tempo, mas não por muito tempo. Ficarão logo
esgotados, estressados, desanimados. Como instituições
educacionais batistas devemos assumir o compromisso de tentar suprir
as necessidades que todos os professores têm para o exercício
eficaz de seu magistério. Naturalmente, muito do que escrevo
abaixo ainda é sonho, ideal, inclusive na instituição
que dirijo. Em muitos aspectos estamos ainda longe da realidade.
Mas devemos persegui-la, lutar para que ela possa se tornar, aos
poucos, plena.
O que escrevo é uma visão de um gestor e professor
com 15 anos de vivência em quatro instituições
batistas. Algumas necessidades não foram contempladas e o
texto pode ser ainda enriquecido por outros educadores, mas o apresento
para início de um amplo debate sobre o assunto.
Os professores necessitam que as instituições onde
atuam lhes ofereçam apoio didático-pedagógico,
apoio na preservação da disciplina, apoio espiritual,
apoio emocional e reconhecimento.
1. APOIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
a) Precisam de periódicos cursos de atualização
para o melhor desempenho das diversas e novas facetas do processo
de ensino-aprendizagem (avaliação, os dilemas da inclusão,
indisciplina, novas tecnologias de ensino, métodos de ensino,
entre outros).
b) Precisam da sábia assistência da coordenação,
apoiando, orientando, debatendo, possibilitando-os enxergar com
outros olhos o conteúdo ministrado e a metodologia usada.
c) Precisam de recursos de ensino adequados e imediatos, como quadro
(de preferência branco com pincéis apropriados e, quem
sabe, magnetizados e integrados ao computador), e à disposição
quando precisarem, como retroprojetor, projetor multimídia,
laboratórios de informática, de biologia, química
e física, para treinamento de homilética (seminários),
auditórios para teatro e atividades lúdicas, entre
outros.
d) Precisam de monitores ou assistentes que possam agilizar a operação
dos recursos de ensino, o processo de registro de presença,
o apoio aos alunos com maior dificuldade de aprendizagem, servir
de ponte com os outros setores da escola durante a aula e no auxílio
na manutenção de uma certa ordem na sala.
2. APOIO DISCIPLINAR
a) Necessitam do apoio de pessoas treinadas (inspetores, disciplinários,
bedéis, ou outro nome que se tem dado, que normalmente ficam
nos corredores do prédio de aula) para lidarem com firmeza
e sabedoria na manutenção da ordem e no cumprimento
dos horários de intervalo, que os ajudem em alguns momentos
pedagógicos e a quem possam recorrer em situações
mais graves de indisciplina;
b) Necessitam de orientações pedagógicas vindas
de estudos recentes sobre disciplina em sala de aula, tendo em vista
a permanente mudança do perfil sociocultural do aluno de
nossas escolas, principalmente nestes novos e complexos tempos.
c) Necessitam de orientações jurídicas sobre
o que podem e o que não podem fazer, o que devem e o que
não devem falar, tendo em vista uma série de códigos
vigentes de proteção à criança e ao
adolescente, da questão do constrangimento moral, da exposição
pública do aluno etc. Códigos esses que vão,
de alguma maneira, ou minando a autoridade do professor ou obrigando-o
a adotar posturas cada vez mais profissionais no trato de questões
disciplinares.
d) Necessidade do reforço por parte da escola (direção
e coordenação) da autoridade (não autoritarismo)
e dignidade do professor em sala de aula, evitando contradizê-lo
ou desautorizá-lo publicamente. Não temendo, inclusive,
perder alunos pagantes se estes não sabem e não querem
respeitar seus professores. Os valores da dignidade, da honra e
da autoridade dos professores devem ser cultivados na escola e,
naturalmente, os professores devem agir conforme esses valores.
3. APOIO ESPIRITUAL
a) Como professores de nossas instituições cristãs,
que estão sob pressão espiritual maligna, que se intensifica
quando os valores do Reino de Deus vão ganhando espaço,
eles precisam de nossas orações redobradas.
b) Como seres humanos, estão sujeitos às tentações
da carne, aos deslizes de caráter, às inclinações
más do coração e, quando cedem, o estrago é
grande. Por isso, precisam da permanente cobertura espiritual de
todos, principalmente dos capelães, coordenadores e diretores
cristãos.
c) Como alguns que trabalham em nossas escolas de educação
básica e faculdades (não nos Seminários, supõe-se)
ainda não entregaram totalmente suas vidas a Jesus, eles
precisam experimentar um ambiente espiritual compatível com
a fé que dizemos professar. Precisamos reverter a tendência
de ser muito difícil pessoas converterem-se (e até
de crentes manterem a fé) trabalhando em nossas instituições.
d) Nossas escolas não são igrejas. Os estudantes
estão ali para aprender conhecimentos científicos,
e pagam por isso. Temos obrigação de oferecer o melhor
ensino e aprender com escolas de outras denominações
e até com as não cristãs as melhores formas
de ensinar. O que vai nos diferenciar são os valores, a ética,
os princípios e o testemunho que vão embutidos nos
conteúdos e no ato de ensinar. Os professores cristãos
precisam ser ajudados a ensinar suas disciplinas, seja qual for,
com sabor de Evangelho.
4. APOIO EMOCIONAL
a) Os professores, como todos nós, são humanos: sofrem,
choram, ficam doentes, têm fraquezas, angústias, depressões.
Estão sujeitos às vicissitudes da vida. As escolas
cristãs precisam ter pessoas preparadas para apoiar, ouvir,
aconselhar, dividir a carga que esses profissionais levam.
b) Os professores precisam sentir a presença da escola nos
momentos mais marcantes de suas vidas: aniversário, casamento,
morte de queridos, formatura etc. A manifestação da
escola através de uma expressão, ainda que simples,
nesses momentos especiais alegra o coração do docente.
c) Nem sempre o professor está, o tempo todo, desempenhando-se
bem. Há momentos em que sua performance cai. Quando isto
acontece, cabe a escola tentar conhecer as razões, compreender
os motivos e ajudá-lo, com paciência e perseverança,
na superação da deficiência momentânea.
d) Não é fácil ter que dispensar um professor
quando ele não está bem e todas as tentativas feitas
para ajudá-lo foram em vão (ou vãs). Como também
não é fácil repreendê-lo quando não
está agindo corretamente ou falha como profissional. Tememos
afetar sua auto-estima, levá-lo à depressão,
revolta, amargura e ressentimento. Nesses momentos a escola precisa
ser extremamente sábia na condução do processo.
Ela precisa necessariamente ser firme, segura, sincera, mas também
profundamente humana, solidária e justa. Conciliar estas
duas dimensões é o grande desafio da gestão
de pessoas.
5. APOIO MATERIAL
a) Os professores desejam ganhar o melhor que a escola puder pagar.
Seus salários precisam ser proporcionalmente superiores aos
da área administrativa. Uma escola saudável gasta
perto de 70% de sua Folha de Pagamento com a área pedagógica.
b) Os professores precisam de um espaço exclusivo, a sala
dos professores, onde possam relaxar nos intervalos, tomar um café,
suco ou água, um salgadinho ou um pão com manteiga
(pelo menos), ir ao banheiro (também exclusivo), conversar
com seus colegas, rir, brincar. Um espaço para recuperar
as forças para a outra etapa.
c) Os professores precisam que haja na sua sala geladeira, ar-condicionado,
mesas e cadeiras onde possam rever suas aulas, corrigir trabalhos
e fazer apontamentos; precisam de um escaninho individualizado para
guardarem com segurança seus livros e objetos pessoais, precisam
de computador(es) interligado(s) à Internet e impressora.biblit
d) Os professores precisam de apoio financeiro ou de alguma outra
forma de ajuda para que possam fazer cursos de atualização
ou de pós-graduação com vistas ao seu aprimoramento
e melhor desempenho. As escolas, na medida do possível, devem
se esforçar para buscar apoiá-los nessa disposição
de continuarem estudando.
6. RECONHECIMENTO
a) Os professores, como qualquer profissional, precisam se sentir
respeitados, valorizados e apoiados pela escola, e isto se dá
através reforços de sua importância perante
os alunos e através de pequenos gestos com cartões,
bilhetes, palavras de incentivo e de gratidão, principalmente
em ocasiões públicas e diante dos alunos. Querem o
bom trabalho que se esforçam em realizar sendo apreciado,
reconhecido, elogiado pelas coordenações. Normalmente
somos prontos para criticar, mas tardios para elogiar.
b) Os professores gostariam que a escola tivesse um Plano de Carreira
que contemplasse melhorias salariais em função do
tempo de serviço, da aquisição de novos cursos
e da manutenção do bom desempenho.
c) Os professores esperam que no seu Dia, a instituição
faça algo, dentro de máxima possibilidade, que represente
uma homenagem ao profissional que exerce a nobre e sublime missão
de ensinar e ajudar seus alunos a crescerem, a serem pessoas valorosas,
a vencerem na vida com dignidade e, com isso, ajudam a construir
um mundo melhor.
d) Os professores esperam que as escolas ajudem aos pais de alunos
e à sociedade em geral a reconhecer ou a resgatar a imagem
e o papel do professor, sua importância e relevância
no contexto educacional, com campanhas de esclarecimentos e de valorização,
para que as famílias os vejam como parceiros imprescindíveis
no processo de desenvolvimento moral, intelectual, social, emocional
e até espiritual de seus filhos.
Walmir Vieira
Diretor Executivo da ANEB
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