| Princípios
para o Equilíbrio Financeiro no Lar
O desequilíbrio nas finanças tem sido fonte de grandes
conflitos, angústias e estresses pessoais e familiares. Normalmente
o problema não é porque ganhamos bem ou mal, pouco
ou muito, mas porque administramos mal ou gastamos inadequadamente
o pouco ou o muito.
Também, o descontrole financeiro pode ser gerado por desemprego,
enfermidade ou calamidade inesperados. Não tenhamos medo
de dizer que estamos em dificuldade financeira. Normalmente tememos
enfrentar a raiva do cônjuge, ficar desacreditados diante
da família e amigos, ouvir: “eu não te disse?”,
ter que admitir descontrole e pedir desculpas.
Reconhecermos a dificuldade e a encararmos seriamente é o
primeiro passo para a recuperação. Fingirmos que ela
não existe é tremendamente danoso (Pv.13.7). Confiemos
em Deus, busquemos dEle a solução e façamos
a nossa parte (Pv.3.5-6, Pv. 10.22, Pv. 11.28). Existem alguns princípios
que nos ajudam a manter em ordem nossas finanças:
1. Vivamos de acordo com a nossa renda. Compatibilizemos
nosso padrão de vida com o nível de nossa remuneração.
Vivamos, se for preciso, com simplicidade e modéstia, mas
com tranqüilidade. Podemos ser felizes, tendo o que necessitamos,
mesmo não tendo tudo que gostaríamos. Aliás,
ninguém tem tudo que quer. Programemo-nos a gastar menos
do que ganhamos (80%). O controle das finanças deve estar
com o cônjuge que tiver mais serenidade, bom senso e sabedoria
para fazê-lo (Ec. 5.11, Ec. 7.11-12, Pv. 30.7-9).
2. Acostumemos a fazer um orçamento mensal
e o compartilhemos com todos os “gastadores” da casa.
Anote todas as despesas. Todos precisam saber os limites financeiros
do lar. Envolvamos os nossos queridos na campanha de contenção
de gastos. Deles podem vir, surpreendentemente, idéias criativas
para a busca do equilíbrio financeiro. (Pv 24.27)
3. Controlemos nossa compulsão para comprar,
comprar. Não nos deixemos dominar pelas “novidades”,
“liquidações”, “promoções”
lançadas pelo marketing. A mídia é craque em
criar necessidades que não são tão necessárias.
Não inventemos desculpas ou álibis para o atender
ao impulso de comprar, argumentando que vamos ser mais felizes,
vamos ter mais conforto, vamos conseguir pagar em longo prazo, que
vai aparecer um dinheiro novo que ajudará etc. Desenvolvamos
o sentimento antimarketing: quando formos tentados a comprar algo
que podemos ficar sem, lembremos do mais precioso bem que queremos
adquirir: o equilíbrio financeiro (Ec. 5.10, Pv. 21.26).
4. Tomemos algumas providências ao irmos
ao supermercado (que corresponde de 15% a 25% do orçamento):
a) providenciemos antes uma lista das coisas que necessitamos e
procuremos nos ater a ela; b) alimentemo-nos bem antes de irmos
para não sermos induzidos a levar mais do que precisamos
e supérfluos; c) evitemos levar crianças, a pressão
é maior; d) tenhamos em mente ou anotada uma lista de alguns
preços de outros concorrentes, e) olhemos os produtos que
estão embaixo na prateleira (costumam ser mais baratos) e
não só os na altura dos olhos; f) não dividamos
em mais de uma vez as compras de alimentação. (Pv.
21.20)
5. Organizemos nossa vida e hábitos em
função de nossas possibilidades e não em função
de nossos amigos, parentes ou vizinhos. Alguns deles podem ter padrões
e estilos de vida que exigem mais recursos do que temos. Não
dá para acompanhá-los em tudo. Não dá
para ter tudo o que eles têm. Muitos lares simples, mas felizes,
têm servido de abrigo e consolo para muitos de casas abastadas,
mas infelizes (Pv. 17.1). Controlemos nossa cobiça, vaidade,
inveja dos outros, não permitindo que elas nos controlem,
nos façam desejar mais do que podemos e nos impeçam
de nos contentarmos com o que temos ou podemos ter (Pv.28.22, I
Tm 6.8, Ec.4.4, Pv. 27.4).
6. Esforcemo-nos para usar o salário do
mês no pagamento das despesas do próprio mês.
Só assim se pode dizer que há equilíbrio financeiro.
Os cartões de crédito e cheques especiais proporcionam
a mágica de consumirmos no mês o salário do
mês seguinte. Gastamos antes de receber. A busca do equilíbrio
financeiro geralmente começa livrando-nos ou limitando o
uso desses malfadados recursos de “crédito” de
juros extorsivos, principalmente do cheque especial. Ao usarmos
o cartão de crédito precisamos ter a certeza de que
teremos o recurso para pagar a fatura total no dia do vencimento.
7. Usemos o nosso 13o salário ou qualquer
receita extra prioritariamente para pagar dívidas e para
zerar o saldo devedor do cheque especial e do cartão de crédito.
Se sobrar algo, reservemos para pagar o IPTU, IPVA e matrículas
escolares, que vencem em janeiro. Se ainda sobrar, guardemos, poupemos.
Não o usemos em mais consumo.
8. Aprendamos a economizar luz, água, gás,
telefone fixo ou celular e combustível. Conversemos com a
turma de casa e a conscientizemos quanto à necessidade da
economia financeira e da preservação ambiental. Disciplinemo-nos
quanto ao tempo de uso do chuveiro (25% do custo da energia elétrica),
dos equipamentos elétricos, da água e do telefone.
Não tem como deixar de gastar, mas pode-se evitar desperdiçar.
Coloquemos o vencimento destes serviços após o dia
do recebimento de nosso salário para que não atrasemos
seu pagamento.
9. Registremos e controlemos as pequenas despesas
que fazemos no dia-a-dia e que no final do mês resultam num
valor significativo: compra de pão e leite, passagem de ônibus,
locações de dvds, gorjetas, lanches, cafezinhos, flanelinhas,
jornais, revistas, livros, remédios, especialmente os gastos
que não estiverem previstos no orçamento.
10. Evitemos os supérfluos quando não
nos são possíveis. No aperto financeiro, jantar fora
significa, no quintal. Existem formas ótimas e baratas de
lazer. Mesmo sem muito dinheiro podemos nos divertir e deixar nossos
queridos felizes. Podemos lanchar com a turminha em casa e ir ao
shopping para tomar só sorvete. Podemos passear e levar de
casa tudo que pudermos para o lanche. Usemos nossa criatividade
para sermos felizes sem falirmos.
11. Sejamos econômicos sem sermos sovinas.
Mesquinhez é quando podemos dar o melhor e damos o inferior.
Ser econômico é dar o melhor dentro das nossas possibilidades.
Também, não sejamos extravagantes, exibicionistas,
querendo possuir, aparentar ou oferecer algo acima de nossa realidade
financeira.
12. Aprendamos a pedir desconto com bom senso.
Não tenhamos constrangimento de pechinchar, de buscar o menor
preço, de comparar preços. O preço do mesmo
produto é estranhamente diferente de um lugar para outro.
Não tenhamos preguiça de andar. O acomodado sempre
paga mais.
13. Reduzamos as despesas que forem possíveis.
Certas despesas são inevitáveis. No entanto, algumas
podem até ser diminuídas. Podemos, por exemplo, buscar
um aluguel mais barato, uma escola dos filhos mais em conta. Também
não é vergonha termos filhos estudando em escola pública.
Quanto à alimentação, devemos buscar cardápios
alternativos, ricos em nutrientes e de menor custo. Não é
preciso racionar, mas racionalizar o gasto de tudo que gera despesas
em casa. Uma mulher sábia (e raros homens) faz milagres econômicos
na cozinha (Prov. 31, Pv. 18.9).
14. Busquemos fontes alternativas de rendas. O
que podemos fazer para gerar receita? Que habilidades ou facilidades
temos para produzir algo que traga algum retorno financeiro? E a
esposa? E a garotada adolescente, será que não está
na hora deles buscarem uma atividade que gere alguma renda, sem
prejudicar seus estudos? Com criatividade e disposição
para o trabalho podemos descobrir alternativas que nem imaginávamos
e que podem vir a ser uma bênção (Pv. 28.19-20).
Mas cuidado com os programas de ganhos fáceis e rápidos,
podem ser um transtorno no final (Pv. 13.11).
15. Procurmos refinanciamento com juros menores, prazos maiores
e parcelas dentro de nossa capacidade de pagar para quitarmos dívidas
cujos juros são maiores (como cheque especial e cartão
de crédito) e nos disciplinemos para não cairmos de
novo neles. Evitemos agiotas e só peguemos emprestado de
parentes e amigos se estes nos oferecerem e se tivermos convicção
de que vamos pagar nos dias marcados (sem atraso). Aliás,
só é considerado dívida aquilo que venceu e
não foi pago. Antes do vencimento é compromisso. (At.
24.16, Rm 3.8, Prov. 3.28).
16. Livremo-nos dos ativos ruins, isto é,
bens que geram despesas, como casa de campo, títulos de clubes,
dois carros, bens (móveis, equipamentos, instrumentos, livros
etc.) que não estão sendo mais usados e que podem
ser vendidos.
17. Priorizemos, no pagamento das dívidas
as que nos podem trazem maiores penalidades (despejo, cortes de
fornecimento do serviço, ação judicial, multas
e juros mais pesados, cobradores, inscrição no SERASA
e SPC etc.) e que maculam nosso nome e caráter. Na medida
do possível, mantenhamos nossos credores sempre informados
de nossa dificuldade momentânea e de nossa disposição
de honrar o pagamento (Mat. 18.23-35).
18. Dizimemos sempre. Se somos cristãos,
não deixemos de dar o dízimo e de sermos generosos,
ainda que estejamos no aperto. Dizimemos sob tudo que efetivamente
recebemos ou lucramos. É nas dificuldades que a fidelidade
do cristão é provada. Nenhum cristão melhora
sua vida financeira cortando o dízimo. Não damos o
dízimo para que nossas finanças melhorem, mas para
sermos fiéis ao Senhor. No entanto, a resposta de Deus e
o equilíbrio financeiro serão inevitáveis (Pv.
3.9-10, Mal.3.10). Experimentemos também a bênção
de dar aos necessitados, mesmo estando em necessidade (Pv. 28.27,
Pv. 29.7, Pv. 19.17, Pv. 11.25)
19. Tornemo-nos clientes de um Banco só
já que não é possível não ser
de nenhum. Verifiquemos se outro Banco cobra tarifas e juros menores
e oferece serviços e vantagens melhores e mudemos. Tenhamos
uma boa relação com o gerente, mas tomemos cuidado
com os seus conselhos.
20. Sejamos previdentes. Jamais deixemos de contribuir
pelo menos para a previdência social (INSS). Ela ainda é
a garantia para a aposentadoria, para um auxílio na doença
e na invalidez permanente. Se for possível ter uma previdência
privada, melhor ainda. Se, ainda, um seguro de vida, ótimo.
Se um pequeno auxílio funeral, um descanso para os parentes
que ficam. Se couber um plano de saúde, ainda que limitado,
bom. Se não, paciência. É imprescindível,
no entanto, haver lugar no orçamento para a previdência
social, principalmente quando se é autônomo ou quando
se está numa atividade de relação de emprego
não formal.
Walmir Vieira
clicwv@hotmail.com
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