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Artigos e Leituras

Não abram Colégios Batistas!

Se as condições mínimas exigidas para seu funcionamento não forem satisfeitas.

Alerto as igrejas batistas que desejam abrir um Colégio Batista para que só façam se as condições mínimas exigidas estiverem satisfeitas. Tenho visitado e assessorado dezenas de colégios batistas, especialmente os de pequeno e médio portes, abertos pelas igrejas e geralmente nas dependências das mesmas. As irregularidades são muitas e os riscos, de toda sorte. Muitas mantenedoras estão em grande aperto e, geralmente, os caminhos para a solução dos problemas são sempre dolorosos e constrangedores. Mesmo os grandes colégios ligados às convenções estaduais, boa parte passa também por enormes dificuldades.
Caso seja desejo da igreja, e as condições indicarem favoráveis, a organização de um Colégio Batista não deve prescindir de alguns pré-requisitos. Comece certo para evitar problemas futuros.
Não abram se o interesse for que ele gere algum recurso para os projetos da igreja. Não gerará. Ao contrário, a igreja precisará investir por um tempo nele. Um colégio batista tendo como mantenedora uma igreja ou associação, e para gozar de alguns benefícios, não pode ter finalidade lucrativa. Seu eventual e raro resultado positivo precisa ser reinvestido na própria escola. Não pode repassar nada para mantenedora ou outra instituição.
Não abram se os documentos de constituição da Associação não estiverem devidamente elaborados, registrados e em ordem: Estatuto, CNPJ, Regimento escolar, Atas de constituição e de delegação de poderes, os exigidos pelos órgãos públicos, conforme a finalidade da escola.
Não abram se não tiverem pelo menos uma autorização provisória e houver protocolado o Projeto Pedagógico na Secretária e/ou Conselho Municipal de Educação caso vá atuar somente no segmento da Educação Infantil (Creche e Pré-escola). Os Conselhos Municipais geralmente têm pareceres e que relacionam as condições estruturais e pedagógicas mínimas exigidas para o funcionamento deste segmento. É preciso também juntar laudo na Vigilância Sanitária e do Corpo de Bombeiros, além das plantas do prédio devidamente aprovadas na Prefeitura entre outras exigências, para expedição do Alvará de funcionamento. Como o segmento atende a crianças muito pequenas as exigências são grandes, mesmo que a escola se destine à assistência social.
Não abram se ele ainda não for autorizado pelo Conselho e/ou Secretaria Estadual de Educação ou DRE, caso se proponha a atuar também no segmento do Ensino Fundamental (1ª. a 8ª. série) e do Ensino Médio. Também é necessário a elaboração de um Projeto Pedagógico específico. Várias das exigências para a Educação Infantil se aplicam a estes segmentos.
Não abram se não houver o mínimo necessário de instalações adequadas, tais como: salas amplas, arejadas e bem iluminadas, biblioteca, quadra esportiva, área de convivência, sanitários apropriados, adaptações para acesso aos portadores de necessidades educativas especiais, salas administrativas e para os professores e mobiliário compatível com a idade a ser atendida.
Não abram se não fizerem (no caso de uma escola que dependerá de mensalidade), uma pesquisa mínima de mercado, buscando levantar as forças e fraquezas (internas) e as oportunidades e ameaças (externas), a renda per capta do público alvo, o posicionamento da concorrência no bairro ou na cidade e perspectiva de crescimento. Os resultados destes levantamentos devem sinalizar que boa parte dos moradores do bairro ou da cidade, com filhos em idade escolar tem condições de colocá-los numa escola particular.
Não abram se não forem capazes de oferecer um serviço melhor que a concorrência, pois é dela que virá a maior parte de seus futuros alunos. Conheça bem a concorrência e seus diferenciais e dificuldades. Pode ser que dela também venham os inadimplentes. Dificilmente o colégio nascerá maior que os principais concorrentes que estão na praça há algum tempo. A conquista será lenta e gradativa, desde que sejam mantidos os investimentos, a qualidade pedagógica e criados diferenciais significativos.
Não abram se a entidade mantenedora não tiver condições de bancar um investimento mínimo não somente para implantação, mas também para manutenção e ampliação da escola por um período de pelo menos três anos, até que ela venha a ser (ou não) auto-sustentável. É preciso, contudo, cuidado em relação ao novo Código Civil e a Constituição. Receitas oriundas de dízimos aplicadas em atividades diferentes da sua finalidade podem ser tributadas.
Não abram se não puderem oferecer um ensino de qualidade aliado a um forte testemunho cristão e um projeto significativo de educação cristã. Se não puderem garantir isso, é melhor não abrir. Tenho visto muitos colégios chamados batistas que de batista só tem o nome. Como não há exclusividade no uso da marca (nome) ela tem sido usada e desgastada.
Não abram se não conseguirem pagar pelo menos o piso salarial dos professores e pessoal administrativo do seu estado, nem se não puderem cobrar uma mensalidade que possa cobrir estes salários com todos os encargos e bem como o conjunto das despesas administrativas e de manutenção, e que ainda reserve uma margem em função da inadimplência e para investimento. Não adianta cobrar mensalidades baixas se há demanda de custos. Uma boa planilha de custo indicará a mensalidade a ser cobrada. Se os moradores da sua região não podem pagar a mensalidade que precisa ser cobrada, não abram um colégio.
Para igrejas que têm um bom patrimônio, poucos recursos, pessoal disponível, está localizada numa região pobre e deseja servir na área educacional o ideal seria buscar parceria com a Prefeitura ou Governo do Estado (parceria que perdure mesmo que mude o governo) com o objetivo de criar um colégio voltado a atender à Educação Infantil e às séries iniciais do Ensino Fundamental, gratuito ou cobrando uma pequena taxa, visando a população do bairro. A Prefeitura contrataria os professores indicados pela Igreja, forneceria o material didático e a merenda. A Igreja cuidaria da conservação do patrimônio e da gestão do Processo Pedagógico. Já há algumas experiências deste tipo em alguns lugares do Brasil.
Nos próximos artigos, apresentarei as principais dificuldades enfrentadas pelos colégios batistas hoje e os diversos índices ideais que sinalizam a saúde administrativa e pedagógica de um colégio batista.

Walmir Vieira
Diretor Executivo da ANEB

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